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Conjunto da Igreja de São Francisco e Seminário dos Missionários Apostólicos de Vinhais

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LENDA: Na fachada da igreja aparece a imagem de Nossa Senhora da Encarnação, acompanhada no lado esquerdo pelo arcanjo Gabriel. Segundo uma lenda, um pedreiro encarregue de assentar as cantarias da cornija resvalou e caiu, não se magoando por “milagre”: um artista esculpiu a imagem da padroeira dos franciscanos deste seminário como forma de agradecimento Os frades desta instituição religiosa pregaram não só na região de Trás-os-Montes mas também no Entre Douro e Minho. Em 1788 encontravam-se em Parada, Paredes de Coura, onde conheceram um jovem que veio professar neste seminário em 1789. Tratava-se de Frei António de Jesus, o fundador do Seminário de Santa Maria do Monte de Madalena, na Serra da Falperra em Braga, inaugurado em 1833 e fechado passado um ano (1834). O encerramento deste seminário obrigou-o a regressar a Vinhais, vindo a estabilizar-se na Mofreita, onde veio a falecer a 28 de Outubro de 1841. Os frades de São Francisco foram expulsos da vila de Vinhais, em 1834. Um missionário, na despedida, declarou profeticamente que “só tornará a haver missões nesta igreja quando virdes uma figueira no campanário do templo da Ordem Terceira!”. Com o passar dos anos cresceu uma figueira no campanário e vieram nessa altura dois jesuítas fazer missões a Vinhais, durante 9 dias.
Foi concedida a licença para a fundação do Convento dos Missionários Apostólicos Franciscanos de Vinhais em 7 de Janeiro de 1740, por D. João V, às entidades de Vinhais e seus moradores.
Em 12 de Novembro de 1751, D. Frei João da Cruz, Bispo de Miranda, autorizou os missionários apostólicos do Convento de Varatojo a fundar «no sítio da Taipa o Seminário de Nossa Senhora da Encarnação de religiosos da Ordem de São Francisco missionários apostólicos do Instituto de Brancanes».
Esta propriedade foi doada por José de Morais Sarmento, natural de Vinhais, grande impulsionador da obra. A primeira pedra foi lançada a 6 de Janeiro de 1752.
O ilustre José Morais Sarmento, que faleceu em 1762, cedeu em testamento a remuneração de 48 anos e pediu que o seminário passasse a ser do padroado real da coroa …
Esta obra teve outros benfeitores como José de Magalhães, morgado de Valpaços, patrocinador em 1785 do tanque e, provavelmente, do claustro ou parte dele, como é possível verificar na inscrição gravada na parede do tanque.
Com a expulsão das ordens religiosas do país, pelo Decreto de 28 de Maio de 1834, grande parte do espólio e bens do seminário passaram para a tutela do Estado.

Após a expulsão dos religiosos, o Convento foi vendido a particulares, servindo de alojamento das repartições públicas e de quartel do destacamento militar.
Foi arrendado pelo prelado de Bragança, D. José Lopes Leite de Faria, para servir de seminário diocesano, em 15 de Novembro de 1920.
Com a compra do Imóvel pela diocese, passou a funcionar como Seminário Menor. Actualmente, encontra-se desactivado.
Fazem parte deste conjunto as Igrejas de São Francisco, Capela de N.º Sra. das Dores e Capela da Oração de Jesus no Horto, propriedade da Ordem III de São Francisco de Vinhais e a Igreja do Seminário, dedicada a N.ª Sra. da Encarnação.

Na fachada barroca de alvenaria, emoldurada por fortes pilastras, há janelões gradeados com moldura joanina e pináculos que rematam as cornijas onde se rasgam os frontões. O portal tem três arcos, da mesma altura, abrindo-se o arco central para o átrio dando acesso à igreja e ao seminário. Sobre estes surgem as armas de D. Maria I e em cima dos arcos rasgam-se três janelas. A central, como as restantes, tem jambas rectas sobre as quais aparece um arco carpanel.
Sobre o entablamento, dentro do tímpano, há um nicho que alberga a imagem de Nossa Senhora da Encarnação. No frontão destaca-se o escudo dos franciscanos. O arco da fachada está coroado, no centro, por uma cruz assente numa peanha barroca, e dos lados por duas pirâmides.
A Igreja Grande é um templo de uma só nave, com capela-mor rectangular, sacristia e coro-alto sobre o átrio. À entrada da igreja do seminário, na ala poente, há duas inscrições que dizem o seguinte:

Do lado direito:

“FUNDOU ESTE SEMINÁRIO SUA MAGESTADE FIDELISSIMA
JOSÉ DE MORAIS SARMENTO ACEITOU O PADROADO
FIDALGO DA CASA REAL DESTE SEMINARIO
MESTRE DE CAMPO E TOMOU PARA SEMPRE
E NATURAL DESTA VILA O SEU REAL NOME E NO
DE VINHAIS E TODOS OS SEUS SUCESSORES
NO ANNO DE DMDCCLII CEDEU DEBAIXO DA SUA REGIA
O PADROADO DELLE NAS MÃOS E IMMEDIATA PROTECÇÃO
DE SUA MAGESTADE E FALLECEU NO ANNO DE MDCCLXVII
NO ANNO DE MDCCLXII”

Na nave salientam-se o púlpito e vários retábulos, como o do Sagrado Coração de Jesus, o de São José ou o de Nossa Senhora do Rosário. Aos pés da igreja fica o coro-alto com uma balaustrada rocaille e magníficos cadeirais. As costas destes cadeirais e as paredes estão ornadas com talha barroca. Por baixo do coro fica a capela do Senhor do Coro, com piso de granito, tecto de abóbada de ladrilho e cal.

Na capela-mor, o pavimento apresenta madeira sobre a cantaria e o tecto está coberto por uma abóbada de meio canhão. Além dos retábulos de São Luís de Gonzaga e da Senhora da Boa Morte, respectivamente do lado do Evangelho e do lado da Epístola, destaca-se a sepultura do fundador desta obra:

“AQUI JAZ JOSE DE MOURA
ES; SARMENTO FIDALGO DE SUAS MAGES
TADES; MESTRE DE CAMPO DE AUXILIARES; CA
VALEIRO PROFESSO NA ORDEM DE CRISTO FUNDADOR
DESTE SEMINÁRIO E DA ORDEM TERCEIRA DESTA
VILA DE VINHAIS E NATURAL DA MESMA
VILA DE VINHAIS
ANO DE MDCCLII”

Junto desta lápide há outra que diz:

“AQUI JAS PEDRO
DE MARIA SAR
MENTO IRM
DO FUNDADOR
1766”

O seminário é uma construção de linhas mais simples, de paredes de alvenaria com reboco branco, com dois varandins dos lados da fachada do templo. O claustro, de forma quadrada, tem cinco arcos de cada lado e no centro um tanque rocaille com uma estátua neoclássica.

Rua dos Frades - Vinhais